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Jacques Prévert
(1900-1977), poeta e argumentista, nasce em Neuilly-sur-Seine,
perto de Paris, numa família pequeno-burguesa
e muito devota. Aos 15 anos, com o diploma do secundário,
abandona os estudos e começa a trabalhar.
É mobilizado em 1918 e enviado para o Próximo
Oriente onde trava conhecimento com Yves Tanguy
e Marcel Duhamel, com quem começa por associar-se
ao movimento surrealista em 1925; mas cedo se afasta,
tomando partido contra o autoritarismo de Breton
e sem nunca aderir ao Partido Comunista. Espírito
irreverente e revoltado, será antimilitarista
e anticlerical toda a vida. Embora comece a publicar
tarde – a primeira colectânea de poemas,
Paroles, só sai em 1946 –,
o seu sucesso como poeta é imediato, devido
à linguagem aparentemente simples e ao recurso
abundante a jogos de palavras, uma das características
inconfundíveis do seu estilo. A partir dessa
data e até 1966, edita regularmente vários
volumes de poemas e torna-se um poeta célebre
e popular. É autor dos argumentos e diálogos
de alguns dos melhores filmes do cinema francês
dos anos 40 – é dele o argumento de
Les Enfants du Paradis de 1944 –,
tendo colaborado com grandes realizadores em várias
dezenas de filmes. Escreve também peças
de teatro, nomeadamente para a companhia Octobre.
O texto que aqui divulgamos, incluído no
volume Paroles, é de 1930.
Eudora Welty (1909-2001) nasceu
em Jackson, Mississípi, onde viveu a maior
parte da sua vida e viria a morrer. Estudou na Universidade
do Wisconsin e na Universidade de Columbia. Começou
a publicar em 1936 e desde cedo estabeleceu uma
sólida reputação como autora.
Ao longo da segunda metade do século XX manteve-se
como um dos mais estimados ícones literários
do público americano. O seu percurso de escrita
foi tão longo como prolífero, incluindo
colecções de contos, romances, memórias
e ensaios críticos. Expôs e publicou
ainda uma interessante obra fotográfica sobre
o Sul rural. Entre os seus muitos títulos
destacam-se A Curtain of Green, and Other Stories
(1941), Delta Wedding (1946), The Golden
Apples (1949), The Ponder Heart (1954),
The Optimist’s Daughter (1972) e
One Writer’s Beginnings (1984). Foi
escritora residente nas Universidades de Oxford
e Cambridge, entre outras. Os seus contos obtiveram
seis O. Henry Awards for Short Stories. Foi também
galardoada com a National Medal for Literature,
o American Book Award, a Medalha da Legião
de Honra e o Prémio Pulitzer em 1969. Muitos
consideram a sua obra desditosamente negligenciada
pela comissão do Prémio Nobel. Nas
suas próprias palavras, as relações
humanas são o objecto central da sua ficção,
e partilha com Mark Twain, William Faulkner e Flannery
O’Connor um sublime sentido de humor de matiz
sulista. Eram públicas e recíprocas
a admiração e a estima de Eudora por
Faulkner, com quem disse ter aprendido a escrever
a fala do Mississípi. Outras relações
interessantes no âmbito literário incluem
as suas amizades com Katharine Anne Porter e Elisabeth
Bowen e uma acesa rivalidade com Carson McCullers.
É consensualmente considerada uma das mais
relevantes figuras da literatura norte-americana
do século XX, e mestre do género do
conto. «Why I Live at the PO» foi originalmente
publicado na colectânea A Curtain of Green
and Other Stories, 1941. Porque vivo no
posto dos Correios tornou-se um clássico
da literatura americana e do conto universal.
Saul Bellow (1915-2005), de seu
nome Solomon Bellows nasceu no Quebec, Canadá,
nos arredores de Montréal, filho de uma família
de judeus russos emigrados; depois de um episódio
de rua em que o pai foi espancado, a família
mudou-se para Chicago, que virá a ser cenário
de grande parte dos livros de Bellow. Estudou Antropologia
e Sociologia. Um dos responsáveis do departamento
de Inglês deu-lhe um conselho de amigo: esqueça
a literatura. «Nenhum judeu é capaz
de apreender verdadeiramente a tradição
da literatura inglesa.» Pouco depois, Bellows
abandonou os estudos para se dedicar à escrita.
Recebeu alguns dos prémios literários
mais importantes, tanto americanos (Pulitzer, National
Book Award), como internacionais (International
Literary Prize), culminando na atribuição
do Prémio Nobel de Literatura, em 1976.
Publicou o seu primeiro romance, Na Corda Bamba,
em 1944, seguindo-se A Vítima (1948)
e The Adventures of Augie March (1953),
que o tornaria famoso. Além de romances,
como Henderson, o Rei da Chuva (1959),
Herzog (1964), Morrem Mais de Mágoa
(1987), escreveu também teatro (The Last
Analysis, Under the Weather) e vários
livros de contos – Mosby’s Memoirs
(1968), Him with His Foot in His Mouth and Other
Stories (1984) Something to Remember Me
By: Three Tales (1991) e Collected Stories
(2001), de onde foi extraído o conto Looking
for Mr. Green, incluído neste número
da Ficções, publicado pela
primeira vez na revista Commentary (Mar.
1951), editada pelo American Jewish Committee.
Jean Giono (1895-1970) nasceu
em Manosque, na Provença, filho de um sapateiro
anarquista de ascendência italiana. Cedo começou
a trabalhar, devido à falta de saúde
do pai e, em 1915, foi mobilizado e enviado para
a frente de batalha, em Verdun. A experiência
da guerra marcou-o e transformou-o num pacifista
convicto. A leitura dos clássicos, sobretudo
da Bíblia, Homero e Virgílio, levou-o
à escrita. O sucesso do seu primeiro romance
Colline e a falência do banco em
que trabalhava conjugaram-se para que se dedicasse
inteiramente à sua arte. Militante pacifista,
aceita a mobilização em 1939, mas
é preso sob suspeita de ser simpatizante
comunista; é libertado poucos meses depois
e novamente preso em 1945, suspeito de colaboracionismo.
Em 1946 cessa toda a actividade militante e política.
Viajante Imóvel, como se designava
a si próprio, Giono é um escritor
do seu espaço e do seu tempo, cuja obra muitas
vezes evoca longas viagens ou longas caminhadas,
embora ele pouco tenha viajado a não ser
pelas montanhas da Provença e do Trièves.
Escreveu mais de trinta romances, de que o mais
conhecido é Le Hussard sur le toit,
de 1951. O texto que traduzimos, L’homme
qui plantait des arbres, é uma obra
de ficção que Giono escreveu em 1953:
«O meu objectivo, confessa, era fazer amar
as árvores ou mais exactamente fazer com
que se goste de plantar árvores (que é
desde sempre uma das minhas ideias mais queridas).»
O texto foi logo publicado em Trees and Life
e traduzido em treze línguas, mantendo-se
pouco conhecido em França. Foi traduzido
em português pela editora Vicentina –
Associação para a Protecção
e Desenvolvimento do Algarve Sudoeste, por Joana
Quintino e Sara Monteiro, em 1998. Em epígrafe,
Giono escreveu: «Para que o carácter
de um ser humano revele qualidades verdadeiramente
excepcionais, é preciso ter a sorte de poder
observar a sua acção durante muito
tempo. Se tal acção for despojada
de todo o egoísmo, se a ideia que a orienta
for de uma generosidade sem par, se se tem absoluta
certeza de que não buscou qualquer recompensa
e que, ainda por cima, deixou no mundo marcas visíveis,
estamos então, sem sombra de dúvida,
perante um carácter inesquecível.»
Philip Kindred Dick (1928-1982),
americano nascido a 16 de Dezembro em Chicago, no
estado do Illinois, foi um dos mais importantes
e influentes autores da ficção científica
do século XX, reputação que
hoje extravasa as próprias fronteiras do
género. Admirado pela intensidade e originalidade
da sua visão, mais do que por qualquer mérito
estilístico, Dick dedicou a sua carreira
literária à exploração
da natureza da realidade, do livre-arbítrio,
dos limites da percepção e do que
é ser-se humano, num tom consistentemente
opressivo e obsessivo, alimentado pelas alucinações
paranóicas que desde cedo o afligiram (e
cada vez mais com o uso de substâncias psicotrópicas
e um intensificar do ambiente de incerteza gerado
pela guerra-fria). Muitos destes temas fazem-se
notar em The electric ant, um dos seus
contos mais representativos, surgido em Outubro
de 1969 no Magazine of Fantasy & Science
Fiction e aqui publicado pela primeira vez
em Portugal. Dos seus romances mais importantes,
sobressaem The Man in the High Castle (1962),
The Three Stigmata of Palmer Eldritch (1965),
Ubik (1969), Flow My Tears, The Policeman
Said (1974), A Scanner Darkly (1977)
e VALIS (1980), sendo este o acrónimo
de Vast Active Living Intelligence System,
fruto de uma série de «revelações»
psicóticas quasi-religiosas que marcaram
de forma impressionante a fase final da sua carreira.
Dick veio a falecer a 2 de Março de 1982
em consequência de um acidente vascular cerebral,
e a escassos meses do reconhecimento por um público
mais vasto através de Blade Runner,
a adaptação cinematográfica
de inspiração noire do seu
romance Do Androids Dream of Electric Sheep?
Fay Weldon (n. 1931) nasceu em
Worcester, Inglaterra, e cresceu na Nova Zelândia.
De regresso à Grã-Bretanha estudou
Economia e Psicologia na Universidade de St. Andrews,
na Escócia. Em Londres, antes de se tornar
escritora a tempo inteiro, trabalhou nas áreas
do jornalismo e da publicidade, onde iniciou uma
carreira de sucesso. Tornou-se conhecida por slogans
publicitários como Go to work on an egg
e Vodka gets you drunk quicker. O seu primeiro
romance, The Fat Woman’s Joke, foi
publicado em 1967, quando já era conhecida
pela sua escrita. A sua obra inclui mais de vinte
romances, colecções de contos, peças
para palco, televisão e rádio e livros
para crianças. Utilizando um tom declaradamente
irónico e uma expressividade satírica
forte e incisiva, as suas obras retratam personagens
femininas que tentam sobreviver na sociedade contemporânea
de carácter patriarcal. Fay Weldon é,
em geral, apontada como uma voz da consciência
feminista emergente em Inglaterra no final da década
de 60, provocando reacções controversas.
Mais recentemente, no entanto, o seu tom feminista
e radical do início tem vindo a alterar-se,
tendo sido já apelidada de «antifeminista»,
pela formulação de determinados pontos
de vista em entrevistas e artigos.
Weekend apareceu pela primeira vez na revista
Cosmopolitan, em 1978 e foi integrado em
Watching Me, Watching You, de 1981; posteriormente,
foi ainda incluído na antologia Modern
British Short Stories, editada pela Viking
em 1987.
Harold Brodkey (1930-1996). Teve
uma infância conturbada: a mãe morreu
quando tinha dois anos e o pai alegadamente «vendeu-o»
a familiares que viviam nos subúrbios de
St. Louis. Formou-se em Harvard e tornou-se professor
de Inglês; em 1952 publicou o seu primeiro
conto na revista New Yorker, com a qual
colaborou ao longo de vários anos. Brodkey
tornou-se conhecido sobretudo como contista, embora
tenha publicado dois romances – The Runaway
Soul (1991) e Profane Friendship (1994).
Os seus contos foram compilados nos volumes First
Love and Other Sorrows (1958), Stories
in an Almost Classical Mode (1988) e The
World is the Home of Love and Death (1997).
Recebeu em 1975 e 1976 o O. Henry Award. Em 1993
anunciou nas páginas da New Yorker
que sofria de SIDA; a doença e a aproximação
da morte são pretexto para os ensaios autobio-
gráficos publicados em This Wild Darkness:
The Story of My Death (1996). Vários
contos de Brodkey são revisitações
obsessivas, poéticas, da infância e
da forma como as crianças vêem o mundo.
«Verona: a young woman speaks»
foi publicado em 1978 na Esquire e faz
parte do volume Stories in an Almost Classical
Mode.
Samuel Beckett (1906-1989) nasceu
Samuel Barclay Beckett numa família abastada
de Dublin. Estudou Românicas (Francês
e Italiano) em Trinity College. Entre 1928 e 1930
está em Paris, onde ensina na École
Normale Supérieure. Conhece James Joyce,
então já o autor admirado de A
Portrait of the Artist as a Young Man e de
Ulisses, escritor que exercerá sobre
Beckett uma influência enorme. Em 1931 está
de regresso a Dublin, ensinando Francês em
Trinity College, mas demitindo-se ao fim de um ano.
A instituição académica será
para sempre um dos seus «ódios»
de estimação. Em 1936 viaja durante
um ano na Alemanha e no ano seguinte estabelece-se
em Paris. Em 1938, Beckett foi esfaqueado na rua
por um proxeneta. No julgamento, quando Beckett
lhe perguntou por que o fizera, o homem respondeu
: «Je ne sais pas, Monsieur, excusez-moi.»
O episódio deixou o escritor com um pulmão
perfurado. No hospital conhece Suzanne Deschevaux-Dusmenil,
com quem acabará por casar, repetindo a história
familiar (o pai também conhecera a mãe
de Beckett, enfermeira, no hospital, quando aí
internado com uma pneumonia). Suzanne apoia e protege
Beckett do mundo da vida comum. Em 1969, quando
recebeu o primeiro telefonema a anunciar que o marido
ganhou o Prémio Nobel, exclamou: «Que
catástrofe!» Durante a guerra, Beckett
juntou-se à Resistência, pelo que foi
condecorado pelo governo francês. Referia-se
a este período perigoso e turbulento da sua
vida como «coisas de escuteiros». Em
1945 volta a Paris e começa a escrever em
francês. Murphy (1938), a trilogia
Molloy, Malone Meurt e L’Innomable
(1947-53), En attendant Godot (1952), Watt
(1953) entre muitos outros romances, peças
de teatro, textos breves, argumentos e peças
radiofónicas tornaram Samuel Beckett um dos
grandes autores do século XX.
Os três textos breves que incluímos
nesta edição são «Imaginação
morta imagina» um dos textos mais marcantes
de Beckett, em tradução de M. S. Lourenço,
publicada em O Tempo e o Modo, n.os 71/72,
Maio-Junho 1969; e «Ouvido no escuro»
I e II, inéditos em Português, tradução
da Oficina Ficções de Tradução
Literária. Estes pequenos contos estão
incluídos em Collected Shorter Prose 1945-1980
(John Calder, 1984).
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