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Oficina de Conto
2005 |
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45
MINUTOS |
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Tens um aliado no sujeito que está na sua casa,
em Lisboa, sem saber para que lado do dia se há
de inclinar, o tal que tem a cozinha desarrumada,
uma boa sala com uma aparelhagem de qualidade
e livros confortantes, tão confortantes como os
sofás de veludo e o gato fugitivo que lhe empresta
uma sombra de companhia. Uma presença mais forte,
mas agora distante, ou por agora distante, paira
sobre aquela casa, mesmo que lá não esteja. Saiu
e talvez não regresse, ele pensa a todos momentos
nela, mesmo quando se esforça por tranquilizar
o espírito, por emergir no seu ninho de boas recordações,
de sentimentos fortes.
Nessa casa recebe visitas de pacientes, que acolhe
sempre no mesmo espaço. A duração da sessão, quarenta
e cinco minutos é uma escolha sua, dentro dos
padrões de terapia que segue. Três quartos de
hora exactos, sobra-lhe um quarto de cada hora,
que reserva para o paciente seguinte. A sua hora
analítica. Os pacientes variam ao longo do tempo,
uns prolongam-se desde os seus primeiros tempos
de actividade, outros abreviam-se, alguns mesmo
demasiadamente, tomam abruptamente a decisão de
partir ou de suspender a sua terapia. A tudo isto
assiste, sem interferir decisivamente num sentido
ou noutro, procurando contudo explorar a sua aceitação
por parte do paciente, acompanhá-lo nas suas decisões,
levá-los a que interiorizem o diálogo construído
ao longo do tempo.
Estamos naquele exacto momento do dia em que a
porta se deverá abrir e entrar o primeiro paciente.
Deixou momentaneamente para trás outras preocupações,
suas. Não pensa por exemplo se o seu filho lhe
telefonará, desafiando-o para um jantar nessa
noite. Será uma gratificação imprevista que poderá
receber, mas cuja expectativa por agora suspende.
Recolhe-se ao contacto com o seu corpo, sobre
a cadeira confortável, abstraindo-se dos ligeiros
minutos que já passaram sobre a chegada prevista
do primeiro paciente, uma rapariga que ganha a
vida como modelo fotográfico e procura iniciar
uma carreira de actriz, e que entretanto sofre,
sofre de aneroxia. Prende-se nesse medo de deformação
do corpo, tem uma representação exterior de si
muito elevada e ao mesmo tempo fortes sentimentos
de insegurança interna, de vazio, de não existência.
"Nada existe em mim para além desta beleza que
vai desaparecer, que irá desaparecendo."
Estende-se no divã, vestida com umas simples calças
e uma blusa desportiva, e suspende-se num silêncio
que ele se habituou a conhecer, aguardando que
do lado onde ele está venha a interrogação que
catalize o diálogo. Controla a tentação de lhe
sugerir uma saborosa refeição, um daqueles jantares
em que tem um genuíno prazer, mas coibe-se de
uma intrusão violenta. Está a seguir o seu campo
de insatisfação, volta com ela ao final da sessão
anterior, em que que se instalou um bloqueio,
que hoje continuará. Assume emprestada a figura
do pai protector, tolerante e acolhedor, que ela
parece integrar, saindo com um sorriso de despedida
e sem ter dito também hoje uma palavra.
Aguardando o próximo paciente, aflui-lhe uma mancha
de incerteza, o sentimento de não estar seguro
que a terapia oferece o melhor a quem busca atenuação
dos seus padecimentos. Felizmente que permanece
do lado da incerteza, da incerteza sobre os resultados
e não da dúvida, da dúvida sobre a eficácia desta
procura. Por auto-defesa, ou por convicção assumida
exclui a dúvida e coloca-se sempre no campo da
incerteza.
Não se pode substituir a esta jovem e abrir a
porta do frigorifico no final da noite, após o
seu regresso de mais um ensaio de uma peça de
teatro experimental, em que tem um papel secundário,
em que está tensa por ter de desempenhar o papel
de uma simples empregada de balcão de um bar,
modelo de alegria e futilidade, que ela não consegue
representar. As dificuldades de encontrar uma
máscara, na procura de fingimentos maiores. A
jovem entretanto partiu, guardando consigo as
suas incertezas para o próximo dia.
Entretanto tem já consigo um homem forte, vestido
de fato e gravata, tem uma natureza obsessiva,
o pânico de perder a mulher, que não o deseja,
que não lhe transmite suficientes demonstrações
de afecto, que se apaixona por imensas coisas,
excepto ele. Entrou num ciclo de ansiedade sem
saída aparente, não percebendo que quem em primeiro
lugar quer fugir é ele, incapaz de vencer o grande
desafio colocado por essa mulher. " Sento-me ao
seu lado e toco-lhe com a mão, e ela logo se afasta,
dizendo não haver espontaneidade nos meus gestos.
Assim era até há algum tempo, porque agora já
não lhe toco, já mal falamos, olhamo-nos de soslaio,
chegamos em ocasiões separadas à cama, evitamo-nos
durante o dia, salvo por questões práticas, questões
que parecem adquirir uma importância excessiva.
E nas férias, o ponto comum mais forte é passarmos
horas a fio, lado a lado, apanhando sol no maior
silêncio".
Enquanto ouve guarda também para si esse pensamento,
uma mulher que se desejou concerteza muito fortemente
para a trazer para a sua vida, uma mulher perante
a qual a impossibilidade do amor impede que seja
gratificada, preenchida, saciada. Ela não está
lá, porque ele também não está. A erotização da
análise, contra todos os canones tradicionais,
parecia-lhe uma via terapeutica bem aliciante.
O silêncio, era outro espaço para ser preenchido
dentro dessa via de regeneração, um silêncio carregado
de esperas, de reencontros e de descobertas. Dois
velhos cúmplices cansados, ou dois velhos cúmplices,
que usam essas linhas de desgate para explorar
novas cumplicidades, pensou reavivando involuntariamente
uma leitura.
Arriscou uma primeira interpretação nesse dia,
"o problema não está no novo, mas sim na contínua
descoberta e paixão por um mesmo objecto de amor,
gratificado em permanência." E calou-se no ponto
em que a sua voz poderia deixar de soar natural
e as interrogações que ele próprio vivia subirem
à tona. Esperança, pensou para si, esperança,
contra o desespero, as inquietações abusivas,
as traições a nós próprios.
O paciente acolhe a ideia e reconhece as suas
limitações, " O problema é que eu não consigo
dar nada mais do que a minha presença, no que
isso tem de mais limitado, a presença física.
Sou o outro que está naquela casa, nada além disso".
Perante isto o analista sente-se conduzido a uma
interpretação kleiniana, "Posiciona-se como o
bebé perante a mãe, aguardando que ela se aproxime
de si e lhe estenda o peito, o acaricie e sorria,
está numa história desiquilibrada com sua mulher,
tem medo de ser o seu pai". Aqui calou-se novamente,
para o paciente não sentir agressividade e reter
a interpretação. A reacção levou este último para
longe, para a idealização desse pai da sua infância,
para a capacidade de sedução que ele deve ter
exercido sobre a sua mãe.Imaginou que assim fôsse,
arriscando uma questão final ao paciente: " E
não pode fazer mais em relação à sua mulher, está
disso certo?". Quando concluia a frase já estava
levantado, indicando o final da sessão. O paciente
partia visivelmente confortado, como se houvesse
introduzido uma nova solução na sua vida. Provavelmente
nessa noite a mulher seria surpreendido com um
despontar de jovialidade por parte do marido,
se é que já não tivesse irreversívelmente perdido
a receptividade para qualquer gesto da sua parte.
Talvez aí a via fôsse a ruptura, o afastamento
e a reconstrução, temas que podia introduzir mas
não sugerir como perspectivas de saída, fugindo
sempre ao ónus de arriscar sobre os outros.
Muitas coisas um analista não sabe em absoluto
e coloca a intuição como campo de acção, com um
risco permanente de erro, só susceptível de ser
avaliado perante o paciente, no seu regresso,
no reencontro na sessão seguinte. Um pacto muito
particular entre estranhos, irmanados numa relação
naturalmente desiquilibrada. "A porta abrir-se-à
para si a todas as horas que combinámos, não mais
do que isso, e também não menos. Eu nunca me atrasarei,
nunca lhe fecharei a minha porta naquelas horas".
E se eventualmente não fôr possível o nosso encontro
combinado será alertado, ficando o aviso para
aqueles casos imprevisiveis. E haverá concerteza
as férias e outras interrupções mais breves.
A imprevisibilidade estava bem afastada do seu
quotidiano. Uma opção, talvez a condizer bem com
o seu carácter. Uma batalha perdida, a das surpresas
agradáveis, calorosas. Como surpreender mesmo
assim? "O quadro, o essencial é o quadro", dizia-lhe
o seu orientador, vinte anos antes, quando se
iniciara na prática. Por esse quadro escolhera
a casa, seleccionara os horários, adaptara a sua
vida. A irreversibilidade da partida dela também
o continuava a preocupar, sobre o qual sentia
que já estava resignado e tal perspectiva inquietava-o.
A confiança, o optismismo, tinham que prevalecer,
mesmo que numa fase inicial fossem apenas conceitos
desprovidos de qualquer conteúdo. Entrou entranto
na sala um novo paciente, no caso uma mulher.
Imerso nas suas congeminações saudou-a com um
olhar mais seco do que habitual e afundou-se bruscamente
no seu cadeirão.Como é habitual orienta o olhar
para um ponto indefenido do tecto da sala, esse
tecto branco, com uma pequena esquadria em gesso,
que ele percorre vezes sem conta com o olhar,
como se ali estivessem muitas das respostas para
as questões colocadas, as suas questões,as questões
dos pacientes. Na outra parte da casa, no seu
quarto, fixa nas noites de insónia o mesmo tecto
branco, com interrogações diferentes, mas também
sem resposta.
Alice, a paciente que iniciou a sessão, fala de
um sonho em que fazia uma viagem com o namorado,
que uns tempos antes morrera num acidente de viação.
Era uma ida a casa da família desse rapaz. Quando
chegaram lá a casa estava vazia, há muito tempo
sem ocupantes e o namorado desaparece entre os
corredores cobertos de musgo, sem que ela consiga
voltar a encontrá-lo.
Tenta não chamar outras associações, e prende-se
a esta imagem de musgo, de revestimento de um
interior felpudo onde um corpo, um homem desaparece,
é absorvido, enquanto a mulher fica de fora, sózinha,
sem capacidade de resgatar o seu companheiro perdido.
"Onde estará ele?", interroga-se Alice, em mais
uma incursão em torno do desaparecimento e do
desencontro.
Traduz algum incómodo com um imperceptível movimento
de garganta, logo antes de começar a falar. "Ele
já não está, agora trata-se de conseguir que dessa
casa musgosa saia um outro corpo, um elemento
de vida, de futuro e não de morte."
Alice compreende a sua sugestão, que a deixa com
uma tensão no corpo, de que não consegue sair,
a sugestão de maternidade, que até aí não se lhe
colocara, a insinuação de que do interior do musgo
podem nascer novos elementos de vida. Ele guarda
outras imagens, mais sexualizadas, onde se sente
ofuscar, compensando-as com um brilho radioso
no olhar de despedida que oferece à paciente.
Nessa noite, após a partida do último cliente
ele vai até à sala e coloca um concerto de piano
e violino de Beethoven na aparelhagem. A música
acompanha-o nesta ideia de vazio, de uma digressão
entre o nada e o nada, assim como agora se sente,
confortado apenas com a ideia de que amanhã terá
que receber de novo os pacientes, acompanhá-los
dia a dia, sem limite pré definido, sem partidas
obrigatórias. Dirige-se para a cozinha, agora
muito bem arrumada e pensa no que há de comer,
mesmo que o apetite o tenha aparentemente abandonado.
Tira um pequeno bife do frigorifico, tempera-o
e coloca-o na grelha do fogão.Irá acompanhá-lo
com uma pequena salada de tomate e beberá água.
Tudo tão frugal como os seus sentimentos.
Depois não escreverá nenhum artigo. O computador
ligado, à espera de ser tocado, uma rápida visita
aos apontamentos do dia, sem inspiração. Ocupar-se-à
em sentir o cheiro da sua ausência, os vestígios
de um passado comum ainda visiveis, a imaginação
sobre outros lugares e afectos onde ela agora
está, longe dele, sem ele, sem a falta dele. Por
agora, nada a substitui, a vida consegue ser permanentemente
mais incompleta, refém desta partida.
Poderia começar uma carta e enviá-la na manhã
seguinte, mas sabe que não haveria resposta, que
aquilo que diria nada alteraria. Poderia telefonar-lhe,
ligar para o número de telemóvel que tão bem conhece,
aguardar ansiosamente por ouvir a sua voz. Mas
nada teriam para dizer, tudo já fora dito, incluindo
o relato do sofrimento da sua ausência. Seria
irreversível, ela não voltaria.
Entrou no quarto, despiu-se e viu-se nú, diante
do espelho. Aquele era o corpo para que ela não
mais olharia, era o corpo com o qual ela não faria
amor, o corpo que ele pensava que ela se habituara
a conhecer, pelo peso, pela textura da pele, por
todas as suas pequenas imperfeições. Vestiu um
pijama, um pijama que ela ainda conhecia, que
lhe comprara talvez, e pensou que também esse
pijama ela não mais veria. Coibiu-se de mais elocubrações
dolorosas quando fez os últimos cuidados de higiene
pessoal do dia. Deitou-se com alívio sobre a cama,
pronto a adormecer à primeira aparição de sono.
Antecipava os sonhos que iria ter, enquanto tentava
ler algumas páginas de um romance, que começara
ainda com ela em casa. Começava a ser tarde e
o silêncio da noite fazia se sentir mais fortemente,
agora que cessara completamente o trânsito na
rua, o que facilitava a sua concentração na leitura,
sem que fôsse perturbado por alguns pequenos ruídos
da casa, bem familiares: o tiquetaque de um despertador,
o recolher do lixo lá embaixo, uma discreta passagem
do gato no corredor. Confortou-se na pressão do
corpo contra as almofadas, na luz suave que acompanhava
a leitura. Se ela estivesse aqui, lendo a seu
lado, beijaria-a agora e adormeceria, aquecido
pela sua presença.
Era ainda mais tarde quando foi sobressaltado
pelo barulho da campainha da porta. Ergeu-se da
cama, sem saber o que pensar, provávelmente era
um engano, não era lá para casa. Olhou pelo olho
de lince, supreendendo-se com um contorno tremendamente
familiar, que o levou a abrir de imediato a porta
e a exclamar em voz embargada: "Minha querida!"
Neste exacto momento acordou olhou para o lado
e viu que continuava sózinho na cama. Duvidava
que depois desse sonho conseguisse retomar o sono.
Levantou-se, vestiu o roupão e foi para a cozinha
preparar uma tisana.
Muito mais tarde, após passar uma boa parte da
noite em branco, terá adormecido. Acordou com
a penumbra que entrava pelo quarto, com uma dificuldade
inicial em imaginar a hora e reconhecer os objectos
do quarto. Pairava um silêncio absoluto que não
permitia determinar a hora, enquanto que os seus
olhos iam reconhecendo o lugar, a cadeira onde
repousava tranquilamente a roupa da véspera, a
porta quase que fechada dando para esse corredor
despovoado, que em breve teria que cruzar.
Num ímpeto levantou-se da cama, congratulando-se
com a decoração simples do quarto, a cor branca
das paredes, os escassos móveis, os armários apainelados
oferecendo generosos arrumos. Enquanto se deixava
abraçar pelo felpo do roupão hesitou um pouco,
adiando o banho para depois de uma incursão pela
cozinha. Entreabrindo a porta do quarto avançou
pelo corredor. Libertaria a casa de recordações
omnipresentes, torná-la-ia num deserto, olharia
para este espaço como se fôsse um primeiro ocupante,
recem chegado sem passado.
Entrou na cozinha, esquecido de aí ter estado
horas antes preparando uma infusão, como se não
tivesse ali jantado na véspera, como se aquele
lugar não tivesse sido ocupado ao longo de todos
os dias de todos os anos em que ali vivera. Essas
recordações estavam presentes no ligeiro cheiro
seco que lhe chegava ao nariz, característico
dessa parte da casa. Conhece de cor estas paredes,
as estrias nos azulejos, a superfície rugosa no
mármore da banca, a textura das portadas de madeira
dos armários, qualquer canto da cozinha, qualquer
objecto aí guardado. Conhece de cor outras coisas
que se esforça em não avivar. Procura mecânicamente
o boião onde está guardado o café, enche a máquina
com a dose matinal, perpétuamente igual a que
desde há muito se habituara.
Senta-se no banco de madeira corrido que atravanca
o espaço entre a cozinha e a pequena varanda envidraçada
nas traseiras da casa, puxa distraído umas velhas
revistas guardadas debaixo da mesa, que folheia
com um olhar vazio de recordações. Distraídamente
coça ao de leve a barriga do pé direito com os
dedos descalços do pé esquerdo, e tem um arrepio
de sensações por outras carícias passadas. Felizmente
que se escoavam os breves minutos necessários
à ebulição da água, que pode ir buscar a velha
caneca esmaltada que nunca dispensa cada manhã
e sorver o café negro.
Encorajado, dirige-se para a casa de banho, deixando
correr a água quente na banheira, enquanto contempla
o rosto inexpressivo no espelho, preparando-se
para o obrigatório exercício da barba. Este diálogo
permanente com a face, na superfície do espelho,
a que nunca pode fugir, porquê essas sobrancelhas
espessas, porquê esses olhos sem alegria? A resposta
não virá, enquanto espalha o creme pela face e
procura que a mão direita em gesto firme faça
a lâmina rápidamente escanhoar a barba áspera.
Mergulha de seguida no banho quente, esquece-se
fugazmente de si próprio, e sai de um impulso.
Vestindo-se com cuidado, com roupa diferente do
dia anterior, sente-se finalmente preparado para
um novo dia, distinto do passado.
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Jorge Lobo Mesquita,
nasceu no Porto em 1960 e vive em Lisboa. Formou-se
em Antropologia pela Universidade Nova de Lisboa e
é funcionário diplomático. Colocações na Representação
Permanente Junto da União Europeia, em Bruxelas, como
Cônsul de Portugal em Lille, França e na Missão de
Portugal em Dili, Timor Leste, sendo actualmente Director
de Serviços da Administração Patrimonial no Ministério
dos Negócios Estrangeiros. |
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Oficina de Conto 2005 |
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