FICÇÕES, Revista de Contos
O PROJECTO de criação de uma revista exclusivamente dedicada à publicação de contos surge, desde logo, do confronto com a experiência de outras literaturas (em especial as de língua inglesa, mas não só) em que a publicação do conto se fez sempre preferencialmente em revistas ou jornais. Na história da formação do conto como género literário moderno, resulta muito claro que a publicação em livro é um suplemento de compilação, fruto da fortuna ou da consagração do contista, quase nunca elemento primordial de divulgação. Ainda hoje, a publicação em revista é o primeiro passo na carreira de muitos escritores, nos Estados Unidos ou em Inglaterra, depois de ter sido a forma privilegiada seguida por autores hoje clássicos no género, como Tchekov, Maupassant ou Poe. Ora, em Portugal, não há nem nunca houve uma revista exclusivamente dedicada ao conto, e as revistas literárias, tendendo a reservar um espaço cada vez menor à criação literária, reduzem por maioria de razão o espaço possível para a ficção em prosa.
Quis a FICÇÕES contribuir para relançar o interesse no conto como género literário específico, dando-lhe espaço próprio de publicação e libertando-o dos constrangimentos e dificuldades inerentes à publicação em livro; a tradução merece-nos uma atenção especial e por isso traduzimos pela primeira vez autores ainda pouco conhecidos entre nós, recuperámos, retraduzimos grandes contos clássicos cujas edições se encontram esgotadas, fora de circuito comercial ou inacessíveis; démos a conhecer, retirámos do esquecimento e revelámos contos e autores clássicos e contemporâneos. E abrimos um novo espaço à publicação de autores portugueses inéditos.
No princípio do ano 2002, a FICÇÕES abre o seu site - e a palavra de ordem é, de facto, abertura. Abertura para outras literaturas menos conhecidas, outras formas de narrativa curta, flexibilização do modelo até aqui seguido. Nada é obrigatório, nada é adquirido. Só a qualidade do texto conta. |