Apresentação / Autores e contos / Um conto por extenso
 
 
 
 
 
 
 
     
     
     
 

Autores e Contos

Alexandre Herculano
"A Morte do Lidador"

Alexandre Herculano (1810-1877) foi historiador, poeta e romancista. Com Almeida Garrett, é um dos iniciadores do Romantismo em Portugal. Descendente de pedreiros e mestres-de-obras, Herculano era filho de um pequeno funcionário da Fazenda, não tendo podido seguir estudos na Universidade. Autodidacta, seguiu o Curso de Humanidades da Congregação do Oratório e estudou Paleografia na Torre do Tombo, aprendendo sozinho Inglês e Alemão. Simpatizante das ideias liberais, conspira contra o regime miguelista e, para escapar à forca, emigra para Inglaterra em 1831. Esteve em Plymouth , em Rennes e por fim na ilha Terceira onde se integra na expedição dos 7500, comandada por D. Pedro. Combate no cerco do Porto. Em 1833 entra para a Biblioteca Pública do Porto como segundo-bibliotecário municipal, mas demite-se depois da Revolução de Setembro. Publica A Voz do Profeta (1836), A Harpa do Crente (1838), procurando combater o absolutismo e o setembrismo. Em Lisboa, dirige a revista O Panorama e em 1839 é nomeado Bibliotecário-Mor das Bibliotecas da Ajuda e das Necessidades. Enquanto trabalha na sua História de Portugal , escreve romances históricos: Eurico, o Presbítero (1844), O Monge de Cister (1848), O Bobo (publicado na Panorama em 1843). Em 1846 publica o primeiro volume da sua História de Portugal . Após vinte anos de trabalho, Herculano deixa o cargo de bibliotecário da Ajuda e compra a quinta de Vale de Lobos, a seis quilómetros de Santarém. Torna-se lavrador ( a excelência do seu azeite foi premiada internacionalmente) e casa-se aos 57 anos com Mariana Hermínia Meira. O conto que incluímos , o estrepitoso A Morte do Lidador , encontra-se no primeiro volume das Lendas e Narrativas (1851).



Rudyard Kipling
" Mary Postgate "
Tradução de Isabel Pedro dos Santos


Rudyard Kipling (1865-1936). Jornalista, romancista, poeta e considerado um dos melhores contistas de língua inglesa, Kipling nasceu em Bombaim e viveu em Inglaterra com uma família de Southsea entre 1871 e 1877. Frequentou depois o United Services College em Westward Ho!, Devon, e regressou à Índia (Lahore, hoje no Paquistão) em 1882 como repórter da Civil and Military Gazette , trabalhando como jornalista em outros periódicos e publicando poemas e contos sobre a vida anglo-indiana. Viaja pelo Extremo Oriente, América e África do Sul, onde viveu, regressando a Inglaterra em 1902. Com uma carreira literária de mais de meio século e de enorme sucesso, Kipling foi um participante activo nas questões públicas do seu tempo, num mundo que assistiu ao culminar e ao início do declínio do império britânico e ao primeiro grande conflito mundial de 1914-18. Foi, aliás, na batalha de Loos, em 1915, que o filho, John Kipling, perdeu a vida. A colectânea A Diversity of Creatures (1917) inclui o conto "Mary Postgate" , escrito em 1915 e por muitos interpretado como um incentivo ao ódio anti-germânico. Considerado "o Poeta do Império", laureado com o Prémio Nobel em 1907, Kipling é um autor que tem gerado grandes controvérsias. A sua defesa da "missão imperial" inglesa, as suas posições anti-semíticas e misóginas ("a fêmea da espécie é mais mortífera do que o macho"), por exemplo, são responsáveis por uma certa quebra de popularidade deste autor, mas a complexidade e o vigor da sua obra e da sua escrita continuam a merecer a atenção da crítica e a devoção de muitos leitores. Da sua longa e variada produção destacam-se, numa primeira fase, Plain Tales from the Hills (1888) e Barrack-Room Ballads (1889), que teve um êxito retumbante e imediato, o romance The Light that Failed (1890) e as colectânea de contos Life's Handicap (1891) e Many Inventions (1993); em 1892 começa a escrever para crianças, publicando os famosos Jungle Books em 1894 e 95 e Just So Stories for Little Children (1902). Em 96, publica a colecção de poemas The Seven Seas , e os romances Captain Courageous (1897), Stalky & Co (1899) e Kim (1901). Numa fase mais tardia, destacam-se Rewards and Fairies (1910), The Fringes of the Fleet (1915), The Years Between (1919), Limits and Renewals (1932) e o texto autobiográfico Something of Myself , publicado em 1937, um ano após a sua morte.



Graham Greene
"Os Destruidores"
Tradução de José Lima


Graham Greene (1904-1991) nasceu em Berkhamsted, Hertfordshire, Inglaterra, em 1904. Começou a escrever desde muito novo para jornais e revistas universitárias. Em 1926 mudou-se para Londres, tendo trabalhado no The Times e outros jornais. Durante a Guerra trabalhou para o serviço de informações do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e foi destacado para a África Ocidental, que viria a servir-lhe de cenário para The Heart of the Matter . Viajou como jornalista por vários países, incluindo o México onde se deslocara para estudar as perseguições religiosas que aí tinham lugar, escrevendo depois O Poder e a Glória (1940). É autor de vários romances bem conhecidos e traduzidos em muitíssimas línguas: Brighton Rock (1938); The Third Man , 1949; O Fim da Aventura (1951); O Americano Tranquilo (1955); O Nosso Homem em Havana (1958); The Human Factor (1978), entre outros.
Graham Greene morreu em 1991. Extremamente versátil, romancista e contista brilhante, foi ainda dramaturgo e escreveu guiões e centenas de críticas de cinema e teatro.
O conto The Destructors foi escrito para a Harper´s Magazine e coligido na antologia Twenty One Stories em 1954 (editora William Heinemann) A edição da Penguin é de 1970.



Giuseppe Pontiggia
"A Bengala de Mogno"
Tradução de José Lima


Giuseppe Pontiggia nasceu em Como (Itália) em 1934. Vive actualmente em Milão, onde se formou com uma tese sobre a técnica narrativa de Italo Svevo. O seu começo na escrita data de 1959, com uma longa narrativa autobiográfica, La morte in banca . Seguem-se L'arte della fuga (1968), Il giocatore invisibile (1978) e em 1983 Il raggio d'ombra , a história de um grupo de comunistas traídos em 1927 por um infiltrado na organização, um romance que confirma a força narrativa de Pontiggia. Em 1989 é-lhe atribuído o prémio Strega pelo livro La grande sera e em 2001, culminando a sua consagração como um dos escritores italianos mais importantes dos nossos dias, recebeu o Prémio Campiello por Nati due volte ( Nascidos Duas Vezes ), editado em Portugal pelas Publicações Dom Quixote.
Vite di uomini non illustri ( Vidas de Homens Não Ilustres ), prémio Super Flaiano de 1993, de onde extraímos o conto que aqui publicamos (intitulado no original Il bastone di mogano ), está organizado como uma série de 18 biografias de gente comum, vidas imaginárias de gente imaginária: homens e mulheres obscuros, evocados com precisão histórica, através de eventos significativos que não correspondem quase nunca aos dados objectivos, pertencendo antes a uma rede subterrânea de sentimentos, de recordações e de desejos.



Villiers de l´Isle Adam
"Narrativa sombria, mais sombrio narrador"
Tradução de Manuel Resende

Villiers de l´Isle Adam (1838-1889)
Nasceu Jean Marie Mathias Philippe Auguste, conde de Villiers de l´Isle Adam, em Saint-Brieuc, na Bretanha, numa família de antiga nobreza rural arruinada. A educação de Villiers faz-se em internatos religiosos, mas sem grande sucesso. Decide ir para Paris, onde se dedica à boémia. Depois de terminar a ligação com a actriz Louise Dyonnet, apaixona-se por Estelle Gautier, mas acaba por viver (e casar, em vésperas de morrer) com Marie Dantine, sua criada, de quem teve o único filho, Victor. Frequenta os cafés e os círculos literários, conhece Baudelaire, o jovem Mallarmé e Huysmans. Já apaixonado pelo ocultismo, pela escrita de Poe e pelo sistema filosófico de Hegel, publica em 1858 o seu primeiro livro de poemas. Romancista e dramaturgo, Villiers será sobretudo conhecido pela imaginação e bizarria dos seus contos, Contes Cruels (1883) - de que faz parte Sombre Récit, Plus Sombre Réciteur - e Histoires Insolites e Nouveaux Contes Cruels , ambos publicados em 1888. Como todos os "malditos", Villiers é pouco estudado e apressadamente catalogado. Escritor ao mesmo tempo subtil e inflamado, do mais incomodativo humor negro, recebeu o veredicto rápido e duradouro: o seu talento era imenso mas "as bizarrias da sua imaginação impediram-no de conhecer os grandes sucessos literários". Dos Contos Cruéis fez a editorial Estampa uma edição em 1971.




William Carlos Williams
"O uso da força"
Tradução de Luísa Costa Gomes


William Carlos Williams (1883-1963) nasceu em Rutherford, New Jersey. Começou a escrever poesia ainda no Liceu. Tirou o curso de Medicina na Universidade da Penisilvânia, onde conheceu e se tornou amigo de Ezra Pound, cuja poesia muito o influenciaria. Foi Pound quem conseguiu que Williams publicasse a sua segunda colecção de poemas, The Tempers. Enquanto mantinha a prática clínica, Williams publicou em pequenas revistas poemas, contos, ensaios e também escreveu para teatro. Foi um dos principais poetas do movimento Imagista, embora com o tempo se tenha afastado tanto de Pound como de Eliot. Williams, tanto na poesia como na ficção, procurou experimentar novas formas, acabando por criar um estilo muito "americano", ancorado no quotidiano e nas experiências comuns. Os textos, que descreviam "momentos" reais, eram muitas vezes escritos imediatamente a seguir ao que era vivido. A sua poética foi ganhando influência, tendo sido apreciado sobretudo nos anos 50 e 60 por Ginsberg e os poetas da Beat Generation. Este The Use of Force encontra-se em The Collected Stories of William Carlos Williams ( New Directions, 1961) e fazia originariamente parte da colecção de contos Life along the Passaic River (1938).


Andrei Platónov
"O Regresso"
Tradução de António Pescada


Andrei Platónov (1899-1951) Filho de um operário metalúrgico, o mais velho de onze irmãos, Andrei Platónovitch Platónov começou a trabalhar aos quinze anos, também como metalúrgico. A patir de 1918 publicou poemas e artigos na imprensa de Voronej, ao mesmo tempo que estudava numa escola técnica dos caminhos de ferro. Incorporado no Exército Vermelho durante a guerra civil, foi correspondente de guerra. A partir de 1926 começou a publicar contos e novelas em revistas literárias, nomeadamente os contos Makar Hesitante (1929) e Para Uso Futuro (1931), que lhe valeram fortes críticas, apesar de este último ter sido escrito para Stálin, segundo afirmação do próprio Platónov: "Não me importa o que os outros digam. Escrevi este conto para ume pessoa (o camarada Stálin) que o leu e no essencial me deu a sua resposta." Mas de pouco lhe valeu a sua fé no socialismo, porque a sua obra não obedecia rigorosamente aos cânones do realismo socialista. Durante cerca de dez anos dedicou-se a escrever histórias sobre crianças, embora não literatura infantil, tendo passado igualmente pela ficção científica. A suavização da censura durante a segunda guerra mundial, em que voltou a ser correspondente de guerra, permitiu-lhe voltar a publicar os seus contos e novelas. O Regresso , escrito em 1945 e publicado em 1946, mostra a invulgar capacidade do autor para captar e interpretar os acontecimentos praticamente ao vivo. Mas uma vez mais a sua visão é herética, porque as personagens não são o herói regressado da guerra e a família feliz à sua espera, mas gente simples, com todas as fraquezas dos seres humanos. Embora a maior parte da sua obra seja constituída por contos e novelas, o mais importante dela são os seus romances, publicados postumamente, como Tchevengur ,escrito em 1927 e só publicado já em plena "perestroika", tal como Os Caboucos , e Moscovo Feliz , romance editado em 1991, e a peça Arca de Noé , em 1993. Iossif Brodski, poeta russo emigrado para Estados Unidos laureado com o Prémio Nobel, colocava Platónov etre os grandes escritores do século XX, ao lado de Joyce, Kafka e Proust.



José Martins Garcia
"Performance"


José Martins Garcia ( 1941-2003) nasceu na Ilha do Pico e licenciou-se em Filologia Românica em Lisboa. Foi professor do ensino secundário, leitor de português na Faculdade de Letras da Universidade Católica de Paris e professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Terminou a sua carreira de docente na Universidade dos Açores, tendo falecido em Novembro de 2003, cerca de um ano após o abandono do ensino. Subscreveu uma tese inovadora sobre Fernando Pessoa e foi um dos primeiros biógrafos de Vitorino Nemésio. Colaborou em diversas revistas e publicações, nomeadamente o jornal República , A Capital , Jornal do Fundão , Diário de Notícias , entre outros. Personalidade polémica, tornou-se conhecido como um dos primeiros autores portugueses a escrever sobre a guerra colonial, destacando-se na sua obra " Katafaraum é uma Nação " (1974), " Lugar de Massacre " (1975) e " A Fome " (1978).

 
     
 
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