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Autores e Contos

Ambrose Bierce
"Parker Adderson, Filósofo"
Tradução de Luísa Costa Gomes
Ambrose Bierce (1842-1914?). Sobre a secretária havia, diz-se, um crânio e uma caixa de charutos. O crânio era de um antigo amigo seu, a caixa de charutos continha as cinzas de um crítico rival. Parece que nem sorria ao afirmá-lo. A morte foi o tema de eleição de um dos mais detestados e temidos verrinosos humoristas do seu tempo. Deixou cerca de noventa histórias, distribuídas por três géneros: a história de terror, as histórias de guerra e a tall tale, em que tudo pode acontecer e, mais cedo ou mais tarde, acontece. Nascido numa família religiosa temente às chamas do Inferno, no meio primitivo rural do Ohio, Ambrose Gwinett Bierce alistou-se no exército de Lincoln aos dezoito anos. Acabada a Guerra Civil com uma honrosa folha de serviço, encontrou-se em São Francisco sem modo de vida certo. Começou a escrever e alcançou tal notoriedade escandalosa com a sua coluna, que foi o primeiro a ser contratado por Hearst quando este começou The Examiner . A sua primeira colecção de histórias, antes publicadas em jornais, apareceu em livro em 1891. As Complete Short Stories , cuja edição levou a Bierce quatro anos a preparar, saíram em edição monumental em 1912. No ano seguinte, Bierce visitou pela última vez os lugares das suas grandes batalhas durante a Guerra Civil e desapareceu no México destruído pela Revolução, para não mais ser visto. Parker Adderson, Filósofo foi retirado de The Complete Short Stories of Ambrose Bierce (University of Nebraska Press, 1984)
Gertrude Stein
"Lesson One"
Tradução de Luísa Costa Gomes
Gertrude Stein (1874-1946). Nascida na Pennsylvania, Gertrude Stein passou a infância na Áustria e em Paris. A família regressou à América e Stein foi estudar para Baltimore, na Johns Hopkins Medical School. Não acabou o curso por motivo do tédio profundo que lhe causava e estabeleceu-se, desde 1903, com o irmão, Leo Stein, em Paris, onde se tornaram coleccionadores de arte. A casa dos Stein foi ponto de encontro de escritores e pintores que passavam ou viviam em Paris, e Gertrude Stein tornou-se, ao longo de décadas, numa das autoras mais faladas e menos lidas de todos os tempos. O que disse Ambrose Bierce dos seus próprios livros :"Vendas moderadas, louvor intenso", aplica-se por maioria de razão a Gertrude Stein, que do seu salão influenciou directa ou indirectamente várias gerações de escritores europeus e americanos. Infelizmente, a sua reputação - plenamente justificada - de ilegibilidade, tem mantido afastada dos leitores uma escrita cujo divertimento quase insano, espontaneidade quase infantil e espírito de nonsense são obscurecidos pelo terrível anátema do experimentalismo. A sua intradutibilidade não ajuda, naturalmente, à divulgação desta escrita plenamente original, pelo que optámos por incluir o texto em inglês e uma versão portuguesa assumidamente aproximativa. O texto encontra-se em First Statement and Three Plays , de 1948.
Margaret Eleanor Atwood
"O Homem de Marte"
Tradução de Maria de Deus Duarte
Nascida em 1939 em Ottawa, no Canadá, estudou na Universidade de Toronto e em Harvard. Começou a escrever muito cedo, publicou um livro de poemas aos dezanove anos e Double Persephone em 1961. Obteve rapidamente o reconhecimento público e internacional com a publicação do seu primeiro romance, The Edible Woman (1969), seguido de muitas outras obras como Surfacing (1972), no qual se autonomizam os seus temas recorrentes, como a vitimização e a sobrevivência. Publicou ainda Dancing Girls and Other Stories (1977), de onde foi extraído o conto que publicamos, Life Before Man (1979), Cat's Eye (1989), The Robber Bride (1993), e finalmente, The Blind Assassin (2000), que ganhou o Booker Prize. Apesar de a crítica insistir na sua classificação como 'escritora feminista', Atwood tem sempre defendido a ideia de que os temas não têm este rótulo, nascendo antes da sua própria vivência numa sociedade que, a partir dos anos cinquenta, não podia deixar de veicular a libertação da mulher, as mudanças comportamentais dos dois sexos, a imagem do Outro, as causas anti-EUA, e o pensamento da esquerda liberal.
Henry James
"The Real Thing"
Tradução de Abel Barros Baptista
Henry James (1843-1916) publicou "The Real Thing" pela primeira vez em Abril de 1892, na revista The Black and White . No ano seguinte, compilou-o no livro The Real Thing and Other Tales , e em 1909 viria a incluí-lo no vol. XVIII da célebre "New York Edition" (versão a que se reporta esta tradução). É uma das várias histórias de escritores e artistas que James escreveu - a mais conhecida das quais será talvez The Figure in the Carpet - e uma ficção particularmente eloquente a respeito da natureza da representação artística.
Marcel Aymé
"O Passa-Paredes"
Tradução de José Lima
Nascido em 1902, na região do Jura francês, instala-se em Paris a partir de 1925, onde exerce os mais variados ofícios, enquanto escreve os seus primeiros livros. Em 1929, recebe o Prémio Renaudot pelo romance La table aux crevés , e a partir do sucesso alcançado por La jumente verte (1933), dedica-se por inteiro à escrita. Aymé defende a provocação sistemática como único remédio contra a hipocrisia da sociedade, e não se priva de usar essa receita em obras como Le Boeuf clandestin (1939), Travelingue (1941), Clérambard (1950), La Tête des autres (1952). Noutro registo, pinta a mediocridade e o ridículo de um microcosmo cinzento, de personagens frustradas e solitárias, como o pequeno burocrata do conto que aqui se publica, extraído de Le Passe Muraille (Gallimard, 1947).
Armando Silva Carvalho
"Nome de Flor"
Nasceu em Óbidos em 1938. Poeta, contista e romancista, debutou em 1965 com Lírica Consumível , que ganhou o Prémio Revelação de Poesia. Foi jornalista e publicitário, dedicando-se presentemente à tradução e à escrita. Autor de cinco romances - o mais recente, O Homem que Sabia a Mar , saiu este ano na Dom Quixote - e de numerosos volumes de poesia, Armando Silva Carvalho constrói o seu universo literário na referência permanente ao quotidiano social, político e cultural português contemporâneo. A sua relação com a tradição literária nacional anda longe de ser paciente e seguidista, constituindo-se mais contra ela que com ela em permanente paródia e verve satírica. Marcas constantes da sua obra novelística serão a transversalidade cultural que encontra matéria tanto no fait divers jornalístico como no Grande Mito Português e, em termos formais, o uso conciso e exacto de várias linguagens correntes.
Hélia Correia
"Vilegiatura"
Nasceu em 1949 em Lisboa. Licenciou-se em Filologia Românica e foi professora de Língua Portuguesa no Ensino Unificado. Abandonou o ensino para se dedicar à tradução, à escrita e ao cultivo de seu jardim em Janas. Publicou poemas e crónicas em jornais e revistas, durante vários anos e, em 1981, iniciou a carreira de ficcionista com O Separar das Águas , que a revelou como uma das romancistas mais originais da década de oitenta. Acaba de publicar, na editora Relógio d´Agua, Lillias Fraser , um romance situado no século XVIII, na Escócia e em Portugal. Vilegiatura foi escrito para a Ficções.
Tiago Salazar
"O Caso da Bicha Solitária"
Nasceu em 1972. Eterno finalista de Relações Internacionais. Foi bolseiro do Centro Nacional de Cultura no King´s College, em Londres. Debutou no Semanário , como jornalista, em 1991, e mantém-se no activo, nas revistas Arte Ibérica e Agenda Cultural , escrevendo sobre artes plásticas, livros, cinema e pessoas célebres. Publicou contos no DNJovem , no Expresso e no DNA , fez guiões para televisão, foi assessor do gabinete de Imprensa do Instituto Camões, comissário de um Salão Internacional de Artes Plásticas e é cronista no Jornal de Monchique, onde assina a coluna "Pirilampo Trágico" . O conto que se publica foi escrito para a Ficções.
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